CARTA ABERTA à população de Peruíbe

CARTA ABERTA

Uma pergunta (muito pertinente por sinal) para reforçar a tese de que a atual mobilização coletiva em prol da reativação dos trabalhos do Projeto Lama Negra de Peruíbe tem interesses e objetivos eleitoreiros é a seguinte:

Se os trabalhos de extração da Lama Negra estão suspensos desde 2015, por que só agora é que se fez esta mobilização?

A resposta é simples e o desconhecimento dela reforça a tese da desatenção com que este assunto tem sido tratado. O uso da Lama Negra era, até meses atrás, baseado em um hábito tradicional e sem sustentação acadêmica e científica, mas

à partir do dia 22 de março de 2018, houve uma grande mudança e seu uso passou a ser baseado em evidências científicas academicamente demonstradas e referendadas pela USP, a maior e mais respeitada Universidade do hemisfério sul do Planeta Terra.

Este fato muda toda a forma de abordagem do tema e por isso houve uma mudança de postura das pessoas que acreditam no seu poder terapêutico e desejam que o seu uso seja novamente disponibilizado.
À guisa de informação, o texto completo desta tese se encontra disponibilizado no seguinte endereço: www.lamanegraperuibe.com.br, juntamente com mais dois trabalhos acadêmicos e uma enorme lista de referências bibliográficas para os estudiosos interessados em aprofundar-se neste tema.

TESE do Dr. Paulo pode ser baixada clicando aqui, mas existem outras Teses sobre a Lama Negra (você pode ver aqui uma de 2014 e aqui a de 2006).

Se só o acima exposto não fosse argumentação suficiente, soma-se o fato de que o convite para a participação neste movimento reivindicatório foi feito a todos quanto quisessem dele participar, sem que houvesse nenhuma restrição religiosa, racial, sexual ou de filiação politica.
Todas as pessoas e entidades foram convidadas e ainda estão convidadas, a participar desse movimento que tem como único objetivo resgatar o uso da Lama Negra, hoje considerado inclusive um patrimônio imaterial de nossa cidade e de seus habitantes.
Reforçando: estão todos convidados a participar desse momento de resgate.
Não se trata de atacar a quem quer que seja e sim despertar naqueles que, de alguma forma, possam colaborar com esse processo de resgate a vontade de se juntarem a esta tarefa, que não parece ser muito fácil.

“Para se atingir o topo da montanha, o primeiro passo é o mais importante”

O desbloqueio da extração da Lama Negra é só a primeira etapa de um processo muito longo e contínuo.
Será necessário que se defina e estruture a forma com que este precioso tesouro será trabalhado.
Será necessária a formulação de políticas públicas para a apropriação e uso desse valioso recurso.
O primeiro passo inclusive já foi dado, com a implantação das PICS no município, mas muito ainda deverá ser pensado e feito, enfrentando o desafio da criação de uma estrutura pouco conhecida no Brasil e dando a Peruíbe e seus dirigentes a possibilidade de protagonizar a formulação de uma nova proposta de desenvolvimento econômico e social.

Poderemos ser referência de como conduzir de forma moderna e arrojada o Turismo de Saúde e Bem Estar, associado ao desenvolvimento de um polo de produção de conhecimentos científicos através da implantação de centros avançados para os estudos relacionados às áreas das Ciências da Saúde e muitas outras. Somando-se a isso, a criação de um considerável número de novos postos de trabalho, já que atualmente na Europa o Turismo de Saúde é a área de atividade que mais emprega e isso não deverá ser diferente por aqui.

Quando se imagina o incremento da atividade turística surge, em alguns, o desejo de que sejamos invadidos por uma multidão de magnatas perdulários que viriam a Peruíbe para esbanjar dinheiro. Não imagino que isso se passará simplesmente com a reabertura dos trabalhos relacionados à Lama Negra, mas iremos receber pessoas de todos os extratos sociais e para podermos receber turistas de maior poder aquisitivo, teremos que criar a infraestrutura necessária, o que não se faz da noite para o dia.

O Projeto Lama Negra, integra atividades de pesquisa, atendimento e formação de mão de obra e terá nessa nova realidade uma grande importância e já vem se preparando para isso há muitos anos, estando apto a preparar mão de obra especializada para tal atividade, na verdade já passaram pelo Lamário mais de uma centena de estagiários, estando todos aptos a trabalhar nessa área.

Acredito que o melhor uso a ser dado para a Lama Negra não seja o de servir de matéria prima para a produção de cosméticos ou mesmo cosmecêuticos e sim servir como polo de atração de turistas e curistas para aqui vir desfrutar dos seus benefícios, da mesma maneira como ocorre em vários locais da Europa, Ásia e Caribe, onde estas atividades servem de base para o desenvolvimento não só dos municípios, mas de grandes regiões.

Cabe ainda ressaltar um ponto de grande importância dentro da Tese recém-defendida, que é o desenvolvimento de uma técnica de manejo que permite prolongar em muito a vida útil da nossa jazida, fazendo com que os investimentos possam ser recuperados e mesmo muito multiplicados.

Quando estudei na China aprendi uma sábia parábola:

“Ao apontar a lua para um indivíduo, o sábio enxergará a lua,
o obtuso só conseguirá ver a unha”

Fica aqui a informação de que durante a realização da Audiência Pública ocorrida na ALESP, compareceu o representante de um grande grupo de hotelaria interessado em investir em nosso município, justamente interessado nessa vertente, o Turismo de Saúde, sustentado principalmente pela Lama Negra.
Reitero o convite a todos os que de alguma maneira possam ajudar a dar andamento neste projeto.

Venham junto, vamos em frente!

Dr. Paulo Flávio de Macedo Gouvêa
Coordenador do Projeto Lama Negra de Peruíbe

Peruíbe, julho de 2018

One comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *